segunda-feira, 22 de setembro de 2014

toalha de mesa

Imagine uma toalha de mesa de cantina italiana após almoço de domingo de uma família inteira.
Molho de tomate, azeite, vinho. Tudo manchando o tecido. Restos de pão, migalhas mil.


É a roupa que eu tô vestindo. Uma confusão só!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

não sei brigar.

nem por email. nem por carta.
nem por outdoor, nem por placas.

eu não sei dizer a você o quanto está me ferindo, me machucando.

eu pondero as palavras, pois sei o poder que elas tem.

você sabe desse poder todo?

o que você pondera quando resolve chegar e despejar na face do outro toda essa energia negativa acumulada, toda essa falta de vontade de buscar o que é bom no outro? o que você deixa de ver e de entender pelo que é, apenas para ver e entender o que você quer que seja?

na boa, eu não sei brigar.

não briguei antes e não vou brigar agora.


hoje eu to vestida de tristeza. Dessas que nem cinza são, são encardidas e sujas mesmo.
Tá chovendo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

.

eu estava bem até você aparecer.
estava dona de mim, dona do meu castelo.
só havia eu e mais ninguém.

daí você apareceu e eu sabia que era prenuncio de guerra, fogo e morte.
corri, fugi, me escondi.
mas você me alcançou. me sorriu e me beijou.

e foi como se eu sentisse a morte me invadir, a dor chegar, o estômago revirar.
e mesmo com tudo isso, era tudo tão bom.
e a partir disso eu vi que já não era mais tão só minha.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

negro

Negro é o teu passado, negro é o teu futuro.
Negro é o meu presente. Negro é a cor que eu visto hoje.


Hoje eu recebi o email mais doloroso de toda uma vida. Mais preconceituoso, mais desvirtuado, mais cheio de rancor e ignorância como eu jamais recebi antes.

E sabe o que é pior? Recebi esse email da minha mãe.



*hoje eu visto negro. Por dentro, por fora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

quando a gente se distancia da gente mesmo

Muitas vezes a gente quer que a vida pare, que ela aguarde a gente retomar o fôlego pra seguir em frente. Mas a vida é uma piranha, é uma danada. Ela faz o que bem quer e não para pra ninguém. Daí a gente se ressente e pensa: Poxa, mas não dá pra esperar eu me recompor um minutinho?

Não, não dá. Grande parte das transformações na vida dos seres vivos ocorrem quando estes estão em movimento. Desde a borboleta, - que enquanto lagarta se lacra num casulo para prosseguir com sua evolução longe das vistas de outros - até o mais sensível e ferido dos seres humanos.

A cura vem pelo movimento. É nele que você vai encontrar novos caminhos, novas pessoas, novas oportunidades, novos sorrisos, novos olhares.

Mas e se no caso a nossa ferida for bem maior que tudo? A gente pode diminuir o passo, nos mover mais lentamente... Mas parar nunca.


Espero que um dia você ponha seu coração em movimento com o meu.

*Hoje eu to de pijama. Mais uma vez.

sábado, 11 de janeiro de 2014

pequenos rituais

Todo mundo tem um ritual pra chamar de seu. O último cigarro antes de dormir, algumas páginas de livro. Um leite morno com biscoitos. Um diário em prantos.

Meu ritual antes de dormir tem sido pensar em mim. No meu futuro, na minha conta bancária, no seu cheiro, na merda que você deve estar fazendo, e depois na minha conta bancária de novo. Na minha família, nos meus amigos distantes e que só a distância consegue afastar.

Daí eu penso em você de novo. E nas merdas que está fazendo.
Daí eu dou risada e lembro do último beijo que te dei antes de pegar o ônibus e como foi engraçado o jeito que você disse: Se cuida, tá? Eu te ligo.

eu to me cuidando. só pra você saber.


*hoje estou de vestido floral, daqueles levinhos. Cachos ao vento. sorriso nos lábios e frio na barriga.

fantasia

hoje eu estou vestida de ponto de interrogação.
uma fantasia enorme.


quero saber o que falta em mim. o que falta pra você.

mas talvez eu nem esteja vestida de nada que não seja o manto da invisibilidade.

eu to aqui mas você não vê. to aqui mas você não sente.

nem você e nem ninguém.